sábado, novembro 04, 2006

Trabalhos de Grupo - Resumos

Grupo 1 - A Arte Bizantina e o Arte Paleocristã

A Arte Bizantina e o Império Romano do Oriente

O Império Bizantino é, pois a história da parte Oriental do Império Romano: uma história romana pelas origens que a motivam, oriental pelas influências que a determinam e a cristã pela cultura que a fundamenta. Foi no reinado de Justiniano, entre 527 e 565, que Bizâncio afirmou não só o domínio político e cultural sobre o ocidente, como se tornou na capital artística de uma época que, pela sua magnitude, se designou a “idade de ouro”. Foi neste período de expansão do Império que estabeleceu um território governado por um delegado do imperador em Ravena, aí fazendo construir S. Vital e S. Apolinário in classe, as igrejas mais importantes desse tempo em Itália. Porém, a obra mais representativa da “idade de ouro” justiniana é Igreja de Santa Sofia, a “Divina Sabedoria”.
Durante a Alta Idade Média, o monaquismo, comunidades religiosas constituídas por monges foi o principal instrumento de cristianização do mundo rural. Foi da reutilização do estudo de imagens produzidas pela pintura de deuses e deusas que nasceram os ícones, obras de arte que tiveram maior difusão na cultura bizantina, onde existiam representações imaginárias da Virgem, de Cristo e dos Santos. O triunfa da iconofilia (gosto ou admiração pelas imagens) em 843 proporcionou o renascimento da arte bizantina, mas segundo modelos estabelecidos por critérios religiosos.

Os ícones, técnicas e temas


Os ícones foram as obras de arte que tiveram maior difusão na cultura bizantina. A pintura bizantina era executada numa placa de madeira recoberta por uma fina camada de gesso, sobre a qual, por vezes, se aplicava uma tela de linho. O desenho era, depois, traçado a buril e coberto com cores opacas a têmpera ou encáustica. Nas doações imperiais era comum enriquecer-se a pintura a esmalte, a ouro e a prata. A temática era muito reduzida e centrava-se, sobre tudo, nas figuras de Cristo e da Virgem.

Igreja de Santa Sofia

Quando o imperador Justiniano mandou construir a Igreja de Santa Sofia, tinha por objectivo construir um edifício sem paralelo no mundo e fazer desse edifício um símbolo do seu poder e do seu reinado. Partindo de uma planta basilical tradicional de três naves, os arquitectos projectaram um enorme rectângulo com 76x70m, com quatro pilares no seu interior formando um quadrado de 30m de lado, sobre o qual levantaram uma gigantesca cúpula num inédito desafio técnico e artístico. Mas, o que resulta mais surpreendente, é a grande cúpula esférica que repousa sobre outras duas meias cúpulas, que rematam as extremidades da nave central e, por sua vez, assentam sobre outras quatro mais pequenas, aos lados. A ênfase colocada no espaço interior, no ambiente de luz trémula captada por inúmeras janelas, reflectindo-se nos mosaicos e filtrando-se na neblina de incenso da liturgia bizantina. Santa Sofia consegue reunir num só os sistemas de planta circular e basilical numa concepção espacial que procede do Panteão romano. Esta foi a obra com que Justiniano traduziu a materialização da união do Império com a igreja, isto é, da terra com o céu: um cubo rematado por uma cúpula representava a imagem do reino dos céus.

A Igreja S. Vitale, Ravena

S. Vitale, foi uma das igrejas que justiniano mandou edificar em Ravena. O interior da igreja encontrava-se decorado por um dos mais importantes conjuntos de mosaicos que a arte bizantina nos legou, nos quais se representam Justiniano e a sua mulher Teodora, rodeados pelos membros da sua corte. Os fundos dourados dos mosaicos sugerem a concepção abstracta do espaço no qual as figuras se inserem, cujas cabeças surgem envoltas no nimbo, ou circulo de luz dos Santos, afirmando o seu poder concedido pela “graça de Deus”. É no mosaico que a arte bizantina atinge a sua maior expressão. A sua elevada plasticidade, a capacidade de reflectir a luz e os brilhos dourados, e a sugestão de um mundo sobrenatural, conferia-lhe um significado suplementar a um atributo simbólico onde se apresentava o Divino.

A Arte Paleocristã

O período designado por Paleocristã refere-se á produção artística dos primeiros Cristãos, sobretudo na parte Ocidental do Império, até á cisão politica e religiosa entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa, em 1504. O Império Bizantino pode ser considerado e entendido no contexto da Antiguidade final, uma vez que integra elementos Gregos e Orientais na cultura cristã, em 476 as “invasões bárbaras” provocaram a queda do Império Romano do Ocidente.
O Cristianismo foi estabelecido como religião oficial do Império, sendo necessário encontrar um edifício que quer simbolicamente quer funcionalmente se adequa-se ao culto público.
A Basílica Romana tratava-se de um edifício público, laico, sem referências aos cultos pagãos, e estava conotado com a administração e o exercício da justiça terrena. Na igreja de S. João de Latrão, o espaço era organizado longitudinalmente por cinco naves separadas por colunatas e direccionadas para a cabeceira, cuja abside se situava no altar e uma nave perpendicular, o transepto, separava o “espaço público” do “espaço sagrado”. O edifício era antecedido pelo nártex.

Definições:

- Nártex: um pátio aberto destinado aos catecúmenos que se iniciavam nos mistérios do cristianismo.- Transepto: local onde só podem transitar os sacerdotes.

- Laico: o que não tem carácter religioso.

A arte das Catacumbas

Segundo a doutrina cristã não era necessário ver para crer. A natureza abstracta, invisível e inefável de Deus, fundado na fé e na espiritualidade do ser, dispensava o suporte das imagens que, tal como na matéria, se corrompiam e degradavam. Para o Cristianismo o que era valorizado, e, portanto, devia ser representado, era a “alma” – a parte imortal do ser humano, mas essa é invisível. Os testemunhos mais antigos da actividade litúrgica cristã datam de finais do séc. II e encontravam-se, sobretudo, nas pinturas parietais, nos nichos, cubículos e sarcófagos das catacumbas. Para os cristãos primitivos, cuja fé se fundava na esperança de uma vida eterna no Além, o ritual funerário e a segurança das sepulturas era de extrema importância. Esta preocupação exprime-se nas pinturas, na presença da ideia de sofrimento ou a predominância da imagem de Cristo. Sendo assim dominam as paisagens do Paraíso prometido, as cenas bíblicas do Novo Testamento, e a figura do Bom Pastor, símbolo de Cristo que conduz os fiéis ao Paraíso. A Geometria ordenadora do espaço pictórico, ainda fazem lembrar a pintura de Pompeia.

Grupo 3 - Arte Germânica

Arte germânica

Abadias – Abadia de corvey
Evangelhos – Godescal c. ; Lindau
Mosteiros – Saint-gall

Características

Abadias
Abadia de corvey apresenta características da arquitectura medieval do norte da Europa, pois, apresenta verticalidade: Introduz uma novidade na fachada principal e nomeado por maciço ocidental. Trata-se de um corpo chamado “westwerk” ou maciço ocidental antecedendo as naves que substitui o nártex

Mosteiro
Mosteiro de Saint-Gall foi mandado construir por Carlos Magno. No qual o abade Haito apresentou um plano do que devia ser um mosteiro ideal. A planta representava uma verdadeira “Civitas sancta” cidade santa. Com uma grande abadia. Foi construído destinado propriamente para a vida quotidiana religiosa.
O mosteiro constituía jardins, estábulos, albergues oficinas, escola, hospital entre outras coisas…

Iluminuras
“A pintura e para os analfabetos aquilo que aquilo são para quem sabe ler.”
As imagens eram utilizadas para transmitir mensagens e não para ser perfeitos. Cada artista preocupava-se com o sentimento e não com a alma.

“Nem precisamos que toda a arte neste período exista exclusivamente para servir ideias religiosas”

A influencia germânica o renascentismo carolíngio, a arte otoniana e o pré-romano no ocidente cristão.

A partir do sec.V. a parte ocidental do império foi invadida pelos chamados “povos bárbaros” de origem germânica que, em sucessivas incursões, acabaram por entrar e saquear Roma em 410.
O facto de, na altura, os “bárbaros” já se encontrarem romanizados e cristianizados, contribuindo para a fusão entre as duas culturas, daí resultando sociedades dominadas pela aliança entre o poder temporal.
A partir de Aquisgrano, Carlos Magno inicio uma operação de construção de grandes dimensões.
Após a morte de ultimo monarca carolíngio, emergiu Otão I, cuja ambição era reconstruir o império carolíngio, Otao I traçou como prioridades restabelecer a dignidade imperial, preservar a paz e a justiça e expandir a fé.

Grupo 4 - Arte Islâmica

A Arte Islâmica

Introdução

A partir do século VI, as tribos beduínas deixaram a pastorícia iniciando o nomadismo de oriente a ocidente, criando cidades por onde ficavam temporariamente.
Estas cidades foram formatadas ao estilo característico da arte islâmica.
A arte islâmica caracteriza-se pela iconoclastia, já que rejeitava a representação figurativa pelo perigo de idolatria.
Devido ao nomadismo, a pintura a escultura e a arquitectura não se desenvolveram, sendo substituídas pela palavra, ou seja, pela caligrafia forma artística da escrita que substituiu as imagens por inscrições, pois só Deus podia transformar o inanimado num ser com vida.
A dissolução de fronteiras entre géneros artísticos, é um aspecto que marca a arte islâmica, já que não existem regras específicas para cada forma de arte, ou seja, são criados cânones comuns para as diversas formas artísticas.
O cromatismo, através do recurso: à figura geométrica; à forma abstracta; à caligrafia e ao arabesco, tornou esta arte islâmica uma arte conceptual cuja única imagem era a da essência do universo.

A cidade islâmica

As cidades construídas pela cultura islâmica seguiam uma igualdade característica, pois não existiam pessoas mais importantes que outras, o que levou à criação de uma cidade muito fechada, tanto interior como exterior, devido a isto a organização urbana se assemelhava a um acampamento, ligados interiormente por corredores, originando uma metrópole muito confusa.
A única zona pública situava-se no privado, mais precisamente na entrada ocidente da mesquita, onde todos podiam confraternizar sobre qualquer assunto.

Al-Andaluz – Mudéjar

A mesquita de Córdova tornou-se o paradigma da arquitectura islâmica ocidental, devido ao seu distanciamento da capital, proporcionando assim a construção de obras mais monumentais, contrapondo a igualdade da cultura islâmica.
Este factor adicionado ao enorme poder económico dos invasores árabes que contrataram moçárabes (cristãos residentes na península ibérica, capazes de usar técnicas locais), permitiu construir grandes obras arquitectónicas.
Esta mesquita foi construída sobre a estrutura de uma catedral visigótica (S.Vicente), aproveitando dela os seus arcos em ferradura, sobrepondo-lhes uma outra série de arcos peraltados para aumentarem a altura interior espacialmente.
Os capitéis traduzem a sua enorme capacidade de abstracção, reduzindo as formas vegetais, originado um jogo harmonioso de volumes.
O mirab e as cúpulas, que o cobrem, são deveras importantes, pois aqui está presente um plano místico e sagrado caracterizado pelo acentuado enriquecimento estético das cúpulas e dos seus mosaicos, mármores rendilhados e arcos nervurados.

Alhambra

Alhambra é um conjunto monumental desenvolvido em três pátios: o pátio da machuca, o pátio dos arriões e o pátio dos leões. A partir do pátio dos leões, uma série de sacas são estruturadas através de pórticos, miradouros, repuxos, sendo a água um bem essencial para a cultura beduína. Esta para além de ser um essencial, era um elemento fundamental da arquitectura islâmica, sendo esta mais marcante na península ibérica.
Este monumento é caracterizado pela horizontalidade e pela decoração abstracta/ geométrica.
Quanto à sua proporcionalidade ele é monumental localizando-se no topo de uma colina.

Grupo 2 - Arte Visigótica e Islâmica em Portugal

A Arte Visigótica

A arte paleocristã dos sécs. V e VI em Portugal coincide com o reinado suevo (411-585) e com um tem o de expansão do monaquismo, definindo-se tendências artísticas provinciais. Por imperativos de culto, o espaço basilical romano adaptou-se às novas funções reli­giosas, havendo testemunhos dispersos de actividade por todo o território salientando-se as Basílicas de Conímbriga, de Tróia e de Torre de Palma, em Monforte. Ficando marcada a época pelo S. Martinho de Dume, homem de formação clássica angariada no circulo de Ravena transportando o monástico para Braga, local onde foi consagrado bispo em 556.Perto de Braga, a Basílica de Dume, já desaparecida, serviu de modelo a outras que se construíram na Galécia.
Sob o domínio visigótico desenvolveu-se uma arte cristã de síntese hispânico-romana, com influências decorrentes das intensas relações entre a Península Ibérica, o Norte de África, Bizâncio, Itália e a Gália. Dela, chegaram-nos diversos testemunhos de edifícios reli­giosos, igrejas de organização basilical, cruz latina e três naves,
Arcadas em ferradura e construção rústica com o aproveitamento dos materiais romanos. Para além da introdução do arco em ferradura ­-antecipando em três séculos o arco árabe –, são características as decorações em baixos-relevos, talhados a bisel, com motivos geométricos, vegetalistas e animalistas dos frisos, nichos, ábacos e fuste. Um­ dos monumentos mais relevantes deste período é a Catedral da Egitânia (Idanha-a-Velha), importante civitas romana e sede episcopal no séc. VI. No séc., VII, a personagem mais significativa na Galécia e na Lusitânia foi S. Frutuoso, continuador da obra de S. Marti­nho Bispo de Braga e de Dume em meados do séc. VII, terá dirigido a edificação mais significativa desta época: Igreja – Mausoléu de Montélios com notória inspiração no Mausoléu de Galla Plácida de Ravena. Apesar das posteriores intervenções, é de origem a planta de cruz grega, a decoração das paredes em arcadas cegas e as três absides em arco de ferradura, viriam a receber a decoração de influência islâmica do al-Andalus.

A Arte Islâmica

Enquanto as regiões do Sul de Portugal foram impermeáveis a uma nova plástica e as novas tipologias arquitectónicas, as regiões do Norte fortemente cristianizadas integraram alguns aspectos da cultura islâmica naquela que se designou a arte moçárabe.
Os cinco séculos de permanência islâmica não correspondem, em quantidade e qualidade, aos testemunhos artísticos que perduraram ate aos nossos dias. De facto, no que se refere á arquitectura, para alem da Mesquita de Mértola, só na arquitectura militar encontramos exemplos significativos tais como o Castelo de S. Jorge, as torres demenagem dos castelos de Soure e Pombal, ou as cercas de Silves, Faro e Elvas. Após a Reconquista destruíram-se a maior parte das evidências da presença árabe em Portugal, a nível de artefactos, objectos de uso pessoal e elementos construtivos. A escultura ornamental atingiu uma grande expresssao no tratamento de capitéis, impostas, ajimezes e modilhões, caracterizando-se pela utilização de elementos vegetais, geométricos e abstractos, em trabalhos de grande riqueza plástica e decorativa.

A Mesquita de Mértola, única em Portugal, conserva ainda aparte da estrutura islâmica e elementos arquitectónicos originais tais como o mirab, o mimbar, o muro da qibla apoiado em grandes contrafortes e a planta de cinco naves perpendiculares á qibla são alguns dos elementos que sobreviveram á intervenção crista. O portal renascença, a cobertura de arcos ogivais e o friso exterior ao merlões e corucheús co9nicos são testemunhos quinhentistas.
A Igreja de Lourosa da Serra, mantêm a volumetria inicial, com o nartex, a planta basilical de três naves e o transepto, a arcada de ferradura evidência da arquitectura moçárabe – e a cabeceira formada por três capelas sob o madeiramento do soalho e mesmo no exterior da igreja, encontram-se inúmeras sepulturas de diversas épocas. Os materiais de construção provem do reaproveitamento de edifícios romanos, visigodos ou árabes, entretanto destruídos.